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Amamentação e câncer de mama: qual é a relação real?
A amamentação reduz o risco de câncer de mama, e a proteção aumenta com o tempo total de aleitamento. É uma das relações mais bem estudadas da oncologia, sustentada por décadas de pesquisa.
A redução é real, mas moderada: amamentar diminui o risco, não o elimina.
O que os estudos mostram
O risco relativo de câncer de mama cai 4,3% a cada 12 meses de amamentação, somando todos os filhos. Cada parto reduz o risco em mais 7%.
Esses números vêm da maior análise já feita sobre o tema, publicada na revista The Lancet em 2002. Ela reuniu 47 estudos de 30 países, com 50.302 mulheres com câncer de mama e 96.973 sem a doença.
O efeito foi semelhante em países ricos e pobres, em diferentes idades e origens étnicas, antes e depois da menopausa. Estudos menores chegam a relatar reduções bem maiores, mas são menos confiáveis por terem poucos casos.
Por que a amamentação protege
Os mecanismos mais aceitos são três:
- Menos ciclos menstruais. Durante a amamentação, a menstruação costuma demorar a voltar. Com isso, a mama fica menos exposta ao estrogênio ao longo da vida.
- Amadurecimento das células. Para produzir leite, as células da mama completam seu desenvolvimento e ficam menos suscetíveis a alterações malignas.
- Renovação do tecido. Ao fim da lactação, a mama elimina grande número de células, inclusive as que possam ter sofrido danos.
Proteção contra o subtipo mais agressivo
A amamentação está associada a um risco cerca de 20% menor de câncer de mama triplo-negativo. Esse subtipo é mais comum em mulheres jovens e tem menos opções de tratamento.
O dado vem de uma meta-análise de 2015, publicada na revista Annals of Oncology, que reuniu 27 estudos e 36.881 casos de câncer de mama. Para os tumores com receptores hormonais positivos, a relação ainda é menos clara.
Amamentar reduz o risco, mas não elimina
Mulheres que amamentaram, mesmo por muitos anos, também podem ter câncer de mama. Por isso, a mamografia de rotina e as consultas periódicas continuam necessárias.
Durante a amamentação, é comum a mama apresentar nódulos e áreas endurecidas, quase sempre benignos. Mesmo assim, um nódulo ou uma alteração que persiste por mais de algumas semanas deve ser examinado, sem esperar o desmame.
Se você não amamentou
Não amamentar, ou amamentar por pouco tempo, não é motivo de culpa. A amamentação é um entre vários fatores que influenciam o risco, e muitas mulheres não puderam ou não conseguiram amamentar.
Outras medidas também reduzem o risco de câncer de mama:
- praticar atividade física regularmente
- manter o peso saudável, sobretudo após a menopausa
- limitar o consumo de álcool
- manter a mamografia em dia
Referências
- Collaborative Group on Hormonal Factors in Breast Cancer. Breast cancer and breastfeeding. The Lancet, 2002;360:187-195
- Islami F, et al. Breastfeeding and breast cancer risk by receptor status: a systematic review and meta-analysis. Annals of Oncology, 2015
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