Blog · Câncer de Endométrio
Câncer de endométrio: oncologia de precisão e os 4 grupos moleculares
Antigamente, o tratamento sistêmico para o câncer de útero avançado era fundamentalmente quimioterapia, sem distinção. Mas essa era ficou para trás. A oncologia de precisão mudou o jogo, e hoje o segredo não está apenas no órgão, mas no DNA do tumor.
Os 4 grupos moleculares
A grande revolução que vivemos hoje no consultório é a divisão da doença em quatro grupos moleculares específicos:
- POLE-mutante: tem prognóstico excelente por natureza, com risco muito baixo de recidiva — muitas vezes é candidato a um tratamento menos agressivo, e não mais intenso.
- dMMR: grupo que responde de forma brilhante à imunoterapia.
- p53-anormal: tumores mais resistentes, que exigem estratégias combinadas.
- NSMP: perfil que demanda um olhar minucioso para definir a melhor conduta.
Saber o grupo exato dita o sucesso do tratamento.
Imunoterapia como padrão-ouro
Estudos internacionais de peso, como o RUBY e o DUO-E, provaram que a imunoterapia (pembrolizumabe e dostarlimabe, em combinação com a quimioterapia-base) não é mais uma opção de última hora. Ela virou padrão logo no início do tratamento de casos avançados ou recorrentes — com o maior benefício observado no grupo dMMR, embora também aprovada para o grupo pMMR (sem deficiência de reparo).
Quando o tumor é mais resistente
Para a doença avançada ou recorrente que já progrediu após quimioterapia com platina — especialmente nos subtipos pMMR, mais resistentes à imunoterapia isolada —, a associação de pembrolizumabe com lenvatinib é uma alternativa que ajuda a quebrar essa resistência.
Não é apenas sobre tratar o câncer. É sobre usar a arma certa para o alvo certo, com base no que há de mais moderno nos protocolos mundiais.