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Por que duas mulheres com câncer de mama fazem tratamentos diferentes?

Duas mulheres com câncer de mama recebem tratamentos diferentes porque "câncer de mama" não é uma doença única. Existem vários tipos, com comportamentos distintos, e cada plano é montado conforme o tumor, o estágio e a própria paciente.

"Minha amiga fez quimioterapia e eu não. Por quê?" Essa é uma das perguntas mais comuns no consultório. A resposta está no que a oncologia chama de tratamento individualizado.

A "identidade" do tumor

A biópsia mostra do que o tumor depende para crescer. Essa informação, chamada de perfil de receptores, é o principal fator na escolha dos medicamentos.

Subtipo O que significa Tratamento mais usado
Receptores hormonais positivos O tumor cresce estimulado por estrogênio ou progesterona Hormonioterapia, com ou sem quimioterapia
HER2 positivo O tumor tem excesso da proteína HER2 Terapia-alvo anti-HER2, em geral com quimioterapia
Triplo-negativo O tumor não tem receptores hormonais nem excesso de HER2 Quimioterapia, em alguns casos com imunoterapia

Um mesmo tumor pode ter receptores hormonais e HER2 positivos ao mesmo tempo. Nesse caso, os tratamentos são combinados.

O estágio da doença

O estágio descreve o tamanho do tumor, o comprometimento dos gânglios da axila e a presença da doença em outros órgãos. Ele ajuda a definir a ordem do tratamento.

Em alguns casos, a cirurgia vem primeiro. Em outros, os medicamentos são usados antes, para reduzir o tumor e avaliar como ele responde. Quando a doença atinge outros órgãos, o tratamento com medicamentos passa a ser o eixo principal.

Exames que refinam a decisão

Em tumores iniciais com receptores hormonais positivos e HER2 negativo, testes genômicos do tumor podem indicar se a quimioterapia realmente trará benefício. É por isso que duas mulheres com tumores parecidos podem ter condutas diferentes: uma faz quimioterapia e a outra, apenas hormonioterapia.

Esses testes não são indicados para tumores HER2 positivos ou triplo-negativos. Já os testes genéticos hereditários, como a pesquisa de mutações em BRCA1 e BRCA2, podem influenciar a cirurgia e a escolha de medicamentos.

A mulher por trás do diagnóstico

O tumor não é o único fator. As diretrizes recomendam que a decisão considere também:

  • idade e fase da vida, antes ou depois da menopausa
  • saúde geral e outras doenças, como problemas cardíacos ou diabetes
  • desejo de engravidar no futuro
  • preferências e valores da paciente

O que isso significa para você

Receber um tratamento diferente do de outra paciente não indica um caso mais grave nem um tratamento inferior. Indica um plano feito para o seu tumor e para a sua vida.

Comparar a própria jornada com a de outra mulher costuma gerar mais ansiedade do que respostas. Leve suas dúvidas ao seu oncologista e peça que ele explique por que cada etapa foi indicada no seu caso.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Referências

  • NCCN Guidelines for Patients: Invasive Breast Cancer, 2026
  • ESMO. Early breast cancer: Clinical Practice Guideline for diagnosis, treatment and follow-up, 2024
  • ASCO. Biomarkers for Adjuvant Endocrine and Chemotherapy in Early-Stage Breast Cancer: Guideline Update, 2022
  • SBOC. Diretrizes de tratamentos oncológicos 2026. Mama: doença localizada, adjuvância.

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