Blog · Câncer de Vagina e Vulva
Câncer de vagina: sintomas, prevenção e tratamento
O câncer de vagina é um tumor ginecológico raro — corresponde a uma pequena fração dos cânceres do trato genital feminino. Justamente por sua raridade, muitas das recomendações de tratamento seguem princípios estabelecidos para o câncer de colo do útero, já que os dois tumores compartilham características biológicas e clínicas semelhantes, segundo a NCCN.
Sintomas
Em fases iniciais, o câncer de vagina pode ser assintomático, sendo identificado em exame ginecológico de rotina ou citologia. Quando presentes, os sinais e sintomas mais associados a tumores invasivos incluem:
- Sangramento vaginal anormal — fora do período menstrual, após a menopausa ou após relações sexuais.
- Corrimento vaginal incomum, às vezes com odor.
- Dor pélvica ou dor durante a relação sexual.
- Presença de massa ou lesão palpável na vagina.
- Sintomas urinários (dor ou dificuldade para urinar) ou intestinais em estágios mais avançados, quando há proximidade com órgãos vizinhos.
Como o sangramento anormal é o sintoma mais comum, qualquer sangramento fora do padrão habitual — especialmente após a menopausa — deve ser investigado prontamente, mesmo que o Papanicolau mais recente tenha sido normal.
Prevenção
A maior parte dos casos de câncer de vagina está associada à infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano), o mesmo vírus relacionado ao câncer de colo do útero. Por isso, as estratégias de prevenção se sobrepõem em grande parte às do câncer de colo uterino:
- Vacinação contra o HPV, idealmente antes do início da vida sexual, mas também recomendada, conforme faixa etária, para quem ainda não foi vacinado.
- Realização periódica de exame preventivo (Papanicolau) e, quando indicado, colposcopia, que permitem identificar lesões precursoras (neoplasia intraepitelial vaginal) antes que evoluam para câncer invasivo.
- Não fumar — o tabagismo é fator de risco reconhecido para cânceres relacionados ao HPV no trato genital.
- Acompanhamento ginecológico regular, especialmente em mulheres com histórico de lesões pré-cancerosas no colo do útero ou na vulva, já que compartilham fatores de risco.
Tratamento
Segundo as diretrizes da NCCN para câncer de vagina, o tratamento com intenção curativa costuma envolver radioterapia, cirurgia, quimiorradioterapia ou combinação dessas modalidades, com a escolha dependendo principalmente do estágio da doença, do tamanho e localização do tumor na vagina.
- Lesões pré-invasivas (neoplasia intraepitelial vaginal) podem ser tratadas com excisão local, laser ou terapias tópicas, conforme extensão.
- Tumores iniciais e bem localizados podem ser candidatos à cirurgia, dependendo da localização (respeitando estruturas vizinhas como bexiga e reto).
- Na maioria dos casos de doença mais avançada, a radioterapia (externa e/ou braquiterapia) associada à quimioterapia concomitante é a abordagem principal, seguindo princípios semelhantes aos usados no câncer de colo do útero.
- O acompanhamento é feito por equipe multidisciplinar, incluindo oncologia clínica, radioterapia e cirurgia ginecológica oncológica.
Por ser um tumor raro, o encaminhamento a centros com experiência em oncologia ginecológica é especialmente importante para garantir o planejamento terapêutico mais adequado a cada caso.
Fontes: NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology – Vaginal Cancer / Vulvar Cancer; ASCO; SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).