Blog · Câncer de Vagina e Vulva
Câncer de vulva: sintomas, prevenção e tratamento
O câncer de vulva é um tumor ginecológico raro, que afeta a região genital externa feminina (lábios vaginais, clitóris e tecidos adjacentes). Cerca de 90% dos casos são carcinomas de células escamosas, que podem surgir por duas vias biológicas distintas: uma associada à infecção persistente por HPV, mais comum em mulheres mais jovens, e outra independente do HPV, geralmente ligada a condições inflamatórias crônicas da pele vulvar, como o líquen escleroso, mais comum em mulheres mais velhas — segundo classificação reconhecida pela NCCN.
Sintomas
O sintoma mais comumente relatado é a coceira (prurido) vulvar persistente e de longa duração, muitas vezes por meses, frequentemente confundida com irritações comuns — o que pode atrasar o diagnóstico. Outros sinais e sintomas incluem:
- Ardor ou dor na região vulvar, inclusive durante a relação sexual.
- Alteração na cor, espessura ou textura da pele da vulva (áreas esbranquiçadas, avermelhadas ou escurecidas).
- Presença de nódulo, verruga ou ferida que não cicatriza.
- Sangramento vulvar fora do período menstrual.
- Corrimento vaginal atípico, associado ou não a odor.
Como esses sintomas podem ser confundidos com dermatites, infecções fúngicas ou irritações simples, qualquer alteração vulvar persistente por mais de algumas semanas, que não melhora com tratamentos habituais, deve ser avaliada com exame ginecológico detalhado e, se necessário, biópsia.
Prevenção
As estratégias de prevenção seguem as duas vias biológicas reconhecidas pela literatura internacional:
- Vacinação contra o HPV, que reduz o risco de lesões precursoras (neoplasia intraepitelial vulvar de tipo usual) associadas ao vírus.
- Diagnóstico e tratamento adequados do líquen escleroso vulvar — uma condição inflamatória crônica da pele, que aumenta o risco de neoplasia intraepitelial vulvar diferenciada e câncer quando não acompanhada e tratada adequadamente (geralmente com corticoide tópico de alta potência, sob orientação médica).
- Não fumar — fator de risco reconhecido tanto para lesões HPV-dependentes quanto para o desenvolvimento do câncer vulvar em geral.
- Acompanhamento ginecológico regular de qualquer lesão de pele vulvar persistente, mesmo que pareça benigna inicialmente.
- Evitar coinfecções que aumentem a vulnerabilidade imunológica da região, como o HIV não tratado, reconhecido como fator de risco adicional.
Tratamento
Segundo as diretrizes da NCCN para câncer vulvar, a doença em estágio inicial tem, em geral, bom potencial de cura com cirurgia e acompanhamento adequado. As principais linhas de tratamento incluem:
- Cirurgia como tratamento principal em estágios iniciais — que pode variar de excisão local ampla até vulvectomia parcial ou radical, dependendo do tamanho e localização da lesão.
- Avaliação dos linfonodos inguinais (da virilha), já que o status linfonodal é determinante tanto para o estadiamento quanto para a sobrevida; a biópsia do linfonodo sentinela é recomendada em pacientes selecionadas, evitando cirurgias mais extensas quando possível.
- Quando os linfonodos da virilha estão comprometidos, geralmente é indicado tratamento adicional com radioterapia, associada ou não à quimioterapia, conforme o estágio.
- Em tumores localmente avançados, a quimiorradioterapia pode ser usada antes da cirurgia, para reduzir o tumor e possibilitar uma cirurgia menos extensa.
Por se tratar de uma cirurgia que pode ter impacto estético e funcional significativo, o planejamento cirúrgico atual busca, sempre que oncologicamente seguro, técnicas menos mutilantes — e o acompanhamento por equipe multidisciplinar (oncologia ginecológica, radioterapia e, quando indicado, cirurgia reconstrutiva) é considerado essencial pelas diretrizes internacionais.
Fontes: NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology – Vaginal Cancer / Vulvar Cancer; ASCO; SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).