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Microbiota vaginal, HPV e câncer: o que a ciência descobriu
Dentro da vagina, vivem naturalmente bilhões de bactérias — isso é normal e saudável, é o que chamamos de "flora vaginal" (ou microbiota vaginal). Pesquisas recentes têm mostrado que o equilíbrio dessa flora pode influenciar diretamente a capacidade do corpo de eliminar o vírus HPV sozinho — e, com isso, o risco de desenvolver câncer de colo do útero.
Uma flora protegida, dominada pelas bactérias "do bem"
Quando a flora vaginal é dominada por um tipo de bactéria chamado Lactobacillus, o ambiente fica mais ácido — e isso funciona como uma proteção natural do corpo. Já quando essa flora fica desequilibrada, com muitos tipos diferentes de bactéria misturados (incluindo outras, como Gardnerella, Prevotella e Sneathia), essa proteção natural diminui.
O que isso tem a ver com o HPV
Mulheres com a flora dominada pelas bactérias boas têm mais facilidade pra eliminar o HPV sozinhas, antes que ele se torne um problema. Já mulheres com a flora desequilibrada têm de 2 a 5 vezes mais chance de o HPV persistir no corpo — e, com o tempo, isso aumenta o risco de aparecerem alterações nas células do colo do útero que podem evoluir pra câncer se não forem tratadas. Existe ainda um tipo de bactéria boa (L. iners) que tem um papel "mais ou menos": às vezes protege, às vezes não tanto quanto as outras bactérias boas.
O equilíbrio da flora também importa durante o tratamento
Esse desequilíbrio não afeta só a prevenção — ele também aparece ligado à resposta ao tratamento. Mulheres com a flora mais desequilibrada tendem a responder pior à quimioterapia feita antes da cirurgia, e têm mais chance do câncer voltar depois de tratado. Depois de uma cirurgia, se a flora não voltar a ser dominada pelas bactérias boas, o risco do HPV continuar presente — ou do câncer voltar — também é maior.
O que já existe, e o que ainda está em pesquisa
Existem formas de tentar reequilibrar essa flora, como o uso de probióticos e prebióticos (suplementos que ajudam a repor as bactérias boas) — os primeiros estudos são promissores, mas os resultados ainda variam bastante entre pesquisas, então isso é usado como reforço, junto com o tratamento padrão, nunca no lugar dele. Técnicas mais novas, como o transplante da flora vaginal, ainda estão em fase de estudo, sem uso na rotina clínica ainda.
O que já sabemos que funciona, e continua sendo a base de tudo, é a vacina contra o HPV e o acompanhamento oncológico padrão — exame preventivo regular, e tratamento quando indicado. O cuidado com a flora vaginal é um reforço a mais nessa proteção, não um substituto.