Blog · Câncer de Colo do Útero

Microbiota vaginal e recorrência do câncer de colo do útero: o que a ciência mostra

Um estudo publicado em agosto de 2025 na revista científica Journal of Translational Medicine trouxe um achado importante para quem já tratou câncer de colo do útero: a composição das bactérias que vivem na vagina (a chamada microbiota vaginal) pode estar ligada tanto à persistência do HPV quanto ao risco de o câncer voltar depois do tratamento.

Como o estudo foi feito

Pesquisadores da Emory University acompanharam 49 mulheres tratadas de câncer de colo do útero em estágios IB a IIIC, todas submetidas a radioterapia ou quimiorradioterapia. Foram coletadas amostras antes do tratamento e depois, aos 3, 6 e 12 meses, com acompanhamento da recorrência do câncer por até 4 anos.

O que foi encontrado

  • 33% das pacientes (16 de 49) tiveram o câncer de colo do útero voltar entre 2 e 3 anos após o tratamento.
  • 41,5% das pacientes com amostras de acompanhamento ainda tinham HPV de alto risco detectável depois do tratamento.
  • Apenas 20% das pacientes tinham uma microbiota vaginal dominada por Lactobacillus (a bactéria "do bem", associada a um ambiente vaginal mais equilibrado) em algum momento do estudo.
  • Bactérias do gênero Prevotella apareceram fortemente associadas tanto à persistência do HPV quanto à recorrência do câncer.

O que isso significa na prática

Os próprios pesquisadores são cuidadosos ao interpretar esse achado: eles descrevem a modulação da microbiota (por exemplo, com probióticos) como uma abordagem que "poderia ser considerada" no futuro para melhorar os resultados do tratamento — não como algo já comprovado ou pronto para uso. Ou seja, é uma pista científica importante, que abre caminho para novas pesquisas, mas ainda não existe um protocolo validado de probióticos para reduzir o risco de recorrência do câncer de colo do útero.

Isso é diferente de "tomar um probiótico por conta própria" — a recomendação, por enquanto, é continuar o acompanhamento pós-tratamento já estabelecido (exames clínicos, citologia, imagem conforme o caso) e aguardar mais estudos antes de qualquer mudança na conduta.

Por que esse tipo de pesquisa importa

Entender a relação entre a microbiota vaginal e o câncer de colo do útero é um campo em crescimento na oncologia. Se confirmado em estudos maiores, esse tipo de achado pode, no futuro, ajudar a identificar quais pacientes têm maior risco de recorrência logo após o tratamento — abrindo espaço para acompanhamento mais próximo justamente em quem mais precisa.

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