Blog · Câncer de Mama
Reconstrução mamária: quando é indicada e como funciona
A reconstrução mamária é parte importante do cuidado integral após a mastectomia (retirada da mama), com impacto reconhecido no bem-estar físico e emocional das pacientes. As diretrizes da ESMO recomendam que a reconstrução, imediata ou tardia, seja oferecida à maioria das mulheres que precisam de mastectomia.
Reconstrução imediata ou tardia
Na reconstrução imediata, o procedimento é realizado no mesmo tempo cirúrgico da mastectomia. Na tardia, ocorre meses ou anos depois. A escolha depende de fatores como necessidade de radioterapia pós-operatória, tipo de mastectomia, características anatômicas, preferência da paciente e planejamento do tratamento oncológico como um todo — ambas as abordagens podem ser consideradas seguras, com a escolha do momento sendo individualizada.
Principais técnicas
- Reconstrução com implante (prótese de silicone), muitas vezes precedida por expansor de tecido — é a técnica mais utilizada mundialmente.
- Reconstrução autóloga, usando tecido da própria paciente (por exemplo, do abdômen ou das costas), indicada especialmente quando há irradiação prévia ou planejada.
- Técnicas combinadas, unindo tecido autólogo e implante.
Radioterapia e reconstrução
Quando a radioterapia pós-mastectomia é necessária, as diretrizes conjuntas da ASTRO, ASCO e SSO indicam que o planejamento deve envolver equipe multidisciplinar, já que a radioterapia pode afetar o resultado estético e aumentar risco de complicações em reconstruções com implante — nesses casos, a reconstrução autóloga tardia ou uma abordagem "delayed-immediate" (expansor seguido de tecido autólogo após a radioterapia) costuma ser considerada.
A decisão sobre reconstruir ou não a mama é pessoal, e mulheres que optam por não reconstruir (fechamento estético plano) também têm essa escolha reconhecida como legítima pelas diretrizes atuais. O mais importante é que a paciente receba informação clara sobre todas as opções antes da cirurgia inicial, para poder decidir com tranquilidade.
Fontes: NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology – Breast Cancer; ASCO (Journal of Clinical Oncology); ESMO Clinical Practice Guidelines; SEER (National Cancer Institute).